Por que a educação socioemocional é importante nos anos iniciais do Ensino Fundamental?

Entenda como incentivar a inteligência emocional e as habilidades socioemocionais pode ajudar crianças do 1º ao 3º ano dessa etapa do Ensino Fundamental.

A chegada aos anos iniciais do Ensino Fundamental é uma etapa marcante na vida escolar de qualquer criança. É quando ela deixa a Educação Infantil e entra em um novo processo de aprendizagem, no qual passa a conhecer mais formalmente os conteúdos curriculares.

Junto com o amadurecimento dos conteúdos voltados à aprendizagem cognitiva, acontecem nessa etapa também uma série de mudanças a nível emocional e social, especialmente nos três primeiros anos dessa etapa, ou seja, do 1º ao 3º ano do Ensino Fundamental, que contempla crianças na faixa de 6 a 9 anos da idade.

Nessa etapa da vida, embora ainda estejam construindo consciência de seus sentimentos e habilidades socioemocionais, as crianças já são capazes de reconhecer e nomear sentimentos mais complexos, como: arrependimento, ciúme, frustração e animação.

Por isso é importante que tanto a escola quanto a família atentem não apenas ao desenvolvimento cognitivo, com aspectos de leitura e matemática, mas observem também o desenvolvimento integral da criança.

Na prática, isso significa oferecer na proposta curricular atividades nas quais as crianças tenham oportunidades de desenvolver e usar sua inteligência emocional. O objetivo é que, ao ter esse pilar de desenvolvimento socioemocional, as escolas possam atentar para as crianças de forma integral, promovendo também habilidades como comunicação, colaboração, perseverança e pensamento críticos, dentre outras.

Essas competências são tão importantes quanto as habilidades cognitivas, pois melhoram o aprendizado e o desempenho sob condições desafiadoras, que exigem empatia, pensamento crítico, criatividade e perseverança, mas nem sempre são valorizadas ou sequer trabalhadas na escola de modo organizado, intencional e sistemático.

Saber reconhecer emoções e lidar com elas, expressá-las de forma clara e respeitosa e trabalhar de maneira colaborativa são habilidades muito importantes para enfrentar os desafios do século XXI.

Desenvolvimento socioemocional com proposta lúdica
Para que essa proposta integral aconteça, é necessário observar as necessidades de cada faixa etária. No caso das crianças que estão nessa etapa, dentro do processo de alfabetização, a abordagem deve seguir uma proposta lúdica. Isso não apenas porque elas ainda não sabem ler informações complexas, mas também porque estão passando por um amadurecimento normal de suas próprias emoções.

Dessa perspectiva, podem ser trabalhadas rodas de conversa, leitura de histórias envolventes, músicas, brincadeiras e dinâmicas divertidas – sempre atreladas à ideia de que não existe “certo e errado” ou “bom e ruim” quando se trata de falar sobre aquilo que a gente sente.

Um exemplo concreto é o programa LIV, que atua junto às escolas para oferecer esse desenvolvimento socioemocional de forma intencional e coordenada. Na proposta, cada etapa da vida do estudante é levada em consideração, iniciando na Educação Infantil, a partir dos 3 anos de idade, e prosseguindo até o Ensino Médio, por volta dos 16 anos.

Nos três anos iniciais do Ensino Fundamental, os recursos didáticos partem do princípio de que não podemos controlar o que estamos sentindo, mas podemos escolher o que fazer com esses sentimentos. Raiva, tristeza, ciúme, amor e felicidade são sentimentos presentes em todos os seres humanos e podem ser trabalhados em todas as faixas etárias. Por isso, o LIV se coloca como um espaço no qual é permitido falar e no qual todos os sentimentos são acolhidos e respeitados.

Conheça a proposta pedagógica do LIV!

Parceria com famílias no Ensino Fundamental
Esse espaço, no entanto, só se consolida quando os alunos, a família, os amigos, os professores e todas as outras pessoas envolvidas em nossas vidas se sentem agentes de seus processos de aprendizagem. Isso significa desenvolver competências e habilidades socioemocionais de maneira global e integrada na família e na escola, em seu papel de formadoras de seres humanos únicos, porém sociáveis.

Na proposta do LIV, acredita-se que o aluno é muito mais do que um simples armazenador de informações que serão testadas e graduadas em determinadas datas do ano. Por isso, propomo-nos a investir na relação entre aluno, escola e família, com tudo aquilo que ela engloba: aprendizagem, dificuldades, companheirismo, hierarquia e, principalmente, interação com pessoas, valores e ideias diferentes.

Nesse sentido, são utilizados diferentes materiais e recursos, tanto impressos quanto digitais, para comunicar a proposta a diferentes grupos.

Daniel Goleman e o incentivo à inteligência emocional das crianças
Como você pode ver até aqui, ajudar as crianças a identificar seus sentimentos, desde os mais básicos aos mais complexos, também tem sido um papel das escolas e das famílias. Essa proposta não é nova e tem sido incentivada há anos pelos mais diversos teóricos, muitos dos quais são citados no programa LIV.

Um deles, Daniel Goleman, explica que, apesar de poder ser aprendida e desenvolvida, a inteligência emocional depende de um exercício cotidiano ao longo do tempo. Isso significa incentivar as crianças, pouco a pouco, a ter conhecimento sobre o que sentem, sobre os próprios impulsos e fraquezas, a ter capacidade de escolher respostas e não reagir apenas por impulsos, e outros aspectos relacionados à inteligência emocional.

Segundo Goleman, a escola e a sociedade devem ajudar as crianças e os jovens a focarem nessas competências, para que estejam aptos a viver bem no contexto moderno e a tomar decisões que ajudem a preservar este mundo (você pode se aprofundar nesse tema com um vídeo completo de Goleman no último Congresso LIV).

Mascotes, leitura e o desenvolvimento socioemocional na prática
No programa de desenvolvimento socioemocional do programa LIV, propomos que essa etapa da vida da criança seja um momento de conhecer as emoções por meio de histórias, músicas e brincadeiras.

No primeiro ano do Fundamental, a turma acompanha as histórias do personagem Tomás que, a cada conto, vive uma emoção diferente, somando-se a atividades voltadas para o desenvolvimento do autoconhecimento.

No segundo ano, o personagem principal é Geraldo, em cujas histórias percebe semelhanças e diferenças com os demais personagens. As atividades para esse segmento estimulam a capacidade empática dos alunos. Já no terceiro ano, as questões giram em torno dos relacionamentos interpessoais, com auxílio de narrativas conduzidas pela personagem Fernanda.

O trabalho nas aulas é realizado por meio de livros exclusivos, da autora Blandina Franco e do ilustrador José Carlos Lollo, ganhadores do Prêmio Jabuti. Em cada capítulo, os protagonistas vivenciam situações que se aproximam às dos alunos, ajudando-os a refletir sobre cada experiência.

As turmas contam com uma pelúcia do personagem, o “mascote”, das histórias do livro do seu ano letivo. Esse mascote da turma facilita a expressão e a projeção das emoções, possibilitando uma maior interação em sala de aula. O material para as famílias também foi feito em conjunto com Blandina e Lollo e promove uma extensão do conteúdo para o ambiente familiar.

Esses são apenas alguns exemplos do que pode ser proporcionado nos anos iniciais do Ensino Fundamental para manter o desenvolvimento socioemocional das crianças, seja no ambiente presencial ou on-line.

O LIV – Laboratório Inteligência de Vida é o programa de educação socioemocional presente em escolas de todo o Brasil, criando espaços de fala e escuta para ampliar a compreensão de si, do outro e do mundo.

Fonte: Laboratório Inteligência de Vida

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