Ideias para fazer um uso mais saudável de telas

É compreensível a angústia das famílias em relação ao uso excessivo das telas entre as crianças e jovens, especialmente neste momento de restrições sociais e tempo de sobra em casa. O objetivo desta publicação não é fazer algum tipo de prescrição e, sim, levantar alguns pontos de reflexão sobre essa angústia durante o período do isolamento social. Confira o artigo completo escrito pela equipe pedagógica do LIV!

O uso das telas já faz parte das nossas vidas. A geração que cresceu nos anos 80 e 90 tinha, muitas vezes, suas rotinas organizadas pelos horários da programação de TV. Hoje, muita coisa mudou em relação a essa programação. Surgiram canais só para crianças e plataformas como o Netflix, Youtube, Amazon Prime, entre outros. Existe uma variedade de programas infantojuvenis e uma das grandes preocupações é a possibilidade de que essa criança passe horas seguidas emendando um episódio no outro, sem sair de frente da tela.

Essa já era uma preocupação para pais de adolescentes, por exemplo, que podem virar a noite maratonando séries. Porém, agora que as crianças não estão indo para a escola, essa preocupação está rondando pais de crianças pequenas também. É uma preocupação legítima, mas precisamos entender quais são as especificidades do momento que estamos vivendo.

Por um lado, sabemos que a recomendação da OMS é de não utilizar nenhuma tela até o primeiro ano de vida da criança e, até os cinco anos de idade, a recomendação é de sessenta minutos diários. Por outro lado, temos famílias trabalhando de casa e realizando os afazeres domésticos, como arrumar a casa e cozinhar as refeições. Crianças em casa, sem a opção de circular, de gastar a energia como estavam habituadas, de brincar com amigos e explorar outros lugares. Novamente, existe o ideal: trazer as crianças para fazer as atividades domésticas conosco, cozinhar junto, incentivar que brinquem sozinhas. E existe o que é real e possível. Nem todos os dias vão funcionar como desejamos. E tudo bem.

O mundo está vivendo e testemunhando uma situação absolutamente nova. Não sabemos quando vamos sair do isolamento, quando as aulas vão voltar, quando voltaremos a sair de casa para trabalhar, além de tantas outras incertezas e inseguranças. Temos limites e é importante que as crianças saibam disso. Estamos vivendo no limite. Uns dias vão ser melhores, outros vão ser piores.

Por isso, vamos sim precisar lançar mão de telas por mais tempo que consideramos razoável. Isso é poder flexibilizar e refazer acordos. Será que podemos pensar, então, em formas mais saudáveis de usar as telas? Apesar de existir uma vasta oferta de programas violentos ou mesmo vazios de conteúdo, as telas podem também nos aproximar de conteúdos que não teríamos contato em outras épocas.

Por que não procurar, por exemplo, desenhos que nos apresentem a realidades diversas?  Existem animações de todos os cantos do mundo, e muitas brasileiras também, como Nana e Nilo, Hair Love, Kirikou. Selecionando esses filmes, séries, animações, é importante – sempre, mas agora especialmente – pensar em segurança na internet, já que nem sempre conseguimos estar ao lado da criança acompanhando. 

Pensando nas telas como aliadas, precisamos nos certificar sobre como estamos expondo conteúdo para as nossas crianças. Restringir por idade, bloquear conteúdo, fazer download para que os programas não acabem derivando para canais inapropriados, por exemplo, são dicas valiosas.

Quando pensamos que hoje a escola está sendo também via tela, precisamos realmente repensar nossas restrições. E se aproveitarmos esse momento para incentivar algum novo aprendizado acessando plataformas de ensino de língua estrangeira? Há muitas opções lúdicas online.

Não sair de casa pode mobilizar muitos sentimentos e, enquanto família, podemos oscilar entre achar que não estamos fazendo o suficiente para estimular as crianças e entender que já estamos sobrecarregados e não sobra mais energia. Que tal pensar num calendário de atividades com temas para cada dia? Nele, podemos fazer visitas virtuais a museus com os mais diversos acervos. Podemos também assistir à peças de teatro online, shows nacionais e estrangeiros.

Podemos, ainda, subverter a lógica da passividade das telas. Um dos argumentos para a restrição de tempo que a OMS estipulou é o significativo aumento dos índices de obesidade infantil. Mas, se estamos tão habituados a sentar contemplativos diante da TV ou do computador, por que não buscar uma parceria corpo-tela? É possível procurar por jogos de dança e interagir com outras pessoas remotamente, para além de canais de karaokê e até de práticas corporais como yoga para crianças. Podemos recriar jogos de mímica, STOP, Imagem e Ação, e muito mais.

 

 

Fonte: Blog LIV

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